Roteiro de galerias escondidas em Montmartre

Que Montmartre já foi uma cidade independente de Paris, que foi a meca dos cabarés e dos artistas, que foi onde viveu Van Gogh, Modigliani, Picasso, tudo isso você provavelmente já sabe. Se veio a Paris nos últimos anos, você também sabe que alguns dos lugares icônicos de arte no bairro se tornaram – infelizmente – um insuportável parque de diversões turístico, como a Place du Tertre, onde artistas cafonas tentam arrancar dinheiro dos turistas e fica impossível caminhar em dias de verão.

Há, no entanto, um circuito de galerias sérias bastante ativo na Butte Montmartre (“colina Montmartre”), e aqui darei a dica de um pequeno roteiro para conhecer algumas delas, mais ou menos afastadas do mar de turistas que circundam a basílica Sacré-Coeur. Serão duas galerias minúsculas, uma enorme e um pequeno bar com exposição fotográfica para encerrar com um drink, tudo numa caminhada de não mais do que 200 metros.

Foto: Galerie W/Divulgação

Começamos pela Galerie W (foto acima), a maior de todas, na Rue Lepic. Num bairro cheio de lugares apertados (tanto os apartamentos quanto o comércio), impressiona o espaço de mil metros quadrados que esta galeria conseguiu, em cinco salas divididas em três níveis. A rotatividade das mostras não é o forte: há um time fixo de cerca de 20 artistas contemporâneos que a galeria representa, como o americano Troy Henriksen, atualmente em exposição.

Seguimos a caminhada pela Rue Lepic, no sentido da subida da montanha. Na altura do número 45, se você olhar para a direita verá o prédio onde Van Gogh viveu com seu irmão entre 1886 e 1888. Não há visitação ou qualquer tipo de atração, apenas uma placa indicando. Mas se você olhar para o outro lado da rua verá a interessante e minúscula Little Big Gallerie. É o total oposto da Galerie W: mal dá para caminhar nos seus dois andares com cerca de 3 metros de largura. O forte é a fotografia contemporânea, mas há também colagens e outras criações de artistas em geral pouco conhecidos e franceses.

Continuamos montanha acima pela Rue Lepic e entramos à direita na Rue Tholozé, onde você vai deparar com a cena da foto: uma exposição permanente ao ar livre, pendurada no espaço de um terreno baldio entre dois prédios. A mostra pertence à galeria Art21, que fica em frente e também é um espaço minúsculo. Mais conservadora, a Art21 vai agradar menos aos vanguardistas, apesar da ousadia da exposição ao ar livre.

Para encerrar este pequeno roteiro de galerias, desça mais alguns metros até a esquina com a Rue Durantin e encontrará um “bar à vin” tipicamente “montmartroise”, o também minúsculo Proibido.

Endereços (clique nos ícones para ver detalhes):


Aproveitando a viagem:

  • Os pontos turísticos mais próximos são a Sacré-Coeur e o Moulin Rouge.
  • Este é o canto de Montmartre onde foi filmado Amélie. Na rua em que começa o roteiro (Lepic), fica o Café des Deux Moulins, onde ela “trabalha”. E na rua em que termina o roteiro (Tholozé), fica o cinema que ela “frequenta”, o Studio28.
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