Cinemas clássicos de Paris: Louxor e Studio 28, o “cinema de Amélie Poulain”

A uma distância de não mais do que um quilômetro, dois cinemas clássicos de Paris, o Studio 28 e o Louxor, não só permanecem abertos como têm programação intensa, além de oferecerem ótimos cafés/bares para conversar sobre os filmes.

O que Amélie Poulain, Salvador Dalí e Luis Buñuel têm em comum? Todos eles frequentaram o Studio 28, na colina de Montmartre (10 Rue Tholoze). Se você assistiu a O Fabuloso Destino de Amélie Poulain deve lembrar que há uma cena gravada em uma sala de cinema. Pois ela foi rodada nesta sala fundada exatamente no ano de 1928. O lugar era ponto de encontro de realizadores como Luis Buñuel e Jean Cocteau – este último chegou a ser proprietário do negócio durante um tempo.

Entre as passagens incríveis da história da sétima arte que tiveram o Studio 28 como cenário está a estreia de L’Âge d’Or, de Salvador Dalí e Buñuel, em 1930, quando a tela foi atacada com ovos por militantes de extrema-direita. Pinturas de Dalí foram destruídas e o filme ficaria proibido até 1981!

Atualmente, a visita do Studio28 vale mais para conhecer a decoração ainda meio surrealista, a galeria e o bar/café do que para ver filmes na pequena sala de 170 lugares: o ingresso, para quem não é sócio, pode custar até 14 euros.

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O bar/café do Studio 28 tem acesso livre mesmo para quem não compra ingresso. Foto: divulgação.

O bar também é o destaque de outro cinema histórico não muito longe dali, em frente à estação do metrô Barbès – Rochechouart – a “esquina maldita” que está passando por uma renovação e sobre a qual já falamos aqui. O gigante Louxor (170, boulevard Magenta), autodenominado Palais do Cinema, é exatamente o oposto do pequeno Studio28.

Faxada restaurada do Louxor. Foto: Luciano Spinelli.
Fachada restaurada do Louxor. Foto: Luciano Spinelli.

Em um incrível prédio de esquina estilo Art déco inspirado no antigo Egito, o Louxor foi inaugurado em 1920 – apenas 15 anos depois da primeira projeção de Louis Lumière.

O Louxor viveu seu auge nos anos após a Segunda Guerra Mundial, quando lotava facilmente os seus 1195 lugares. Mas a decadência começou no fim dos anos 70, chegando a virar boate nos anos 80. Em 2001, a comunidade do bairro se mobilizou para salvar o prédio histórico. A prefeitura de Paris encampou a ideia e, em 2013, após longas reformas, estava reaberto o Palácio do Cinema.

A grande dica para visitar o Louxor sem gastar muito são as sessões das manhãs, quando o ingresso custa apenas 5 euros. Outro destaque é a sacada do alto, onde fica o bar e de onde se tem uma bela vista do 18ème e da Sacre Coeur. Mas é preciso comprar o ingresso para acessá-lo.

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A sacada do bar do cinema Louxor. Foto: divulgação.

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